E de repente chutei algo, que parou a dois passos de mim, e eu, curioso, parei para ver o que era. Era uma lanterna. Liguei-a, e então ela iluminou a floresta escura. Percebi que a floresta escura não era tão escura assim como eu pensava; a lanterna me ajudou a encontrar uma beleza na floresta que eu não tinha visto antes, pois tal beleza era escondida pela escuridão.
E em cada parte da floresta que eu iluminava, a escuridão se dissipava e eu descobria algo novo e incrível. E a lanterna me mostrava mais e mais, fazendo com que a floresta antes triste e escura virasse um lugar claro e alegre. E a lanterna me revelava as cores, e eu mudava e começava a ver tudo diferente.
Porém de repente, e não mais que de repente, a lanterna apagou-se. Falhou. E fez-se de triste o que se fez alegre, toda beleza e toda luz transformaram-se em escuridão. Fiquei só, de novo. E a floresta escura voltou a ser a mesma de sempre, mas eu, antes imune, agora estava vacilante, com medo e inseguro. Tudo me assustava, e eu só sabia sentir saudades da luz, e sentia falta da lanterna.
E me levantei. E enxuguei minhas lágrimas. E segui. E reaprendi a andar na floresta escura, com os mesmos largos e firmes passos de antes. E eu não sentia mais vontade de ter a luz de volta, porque tudo o que ela me trouxe foi mentira e ilusão. Voltei a não prestar mais atenção a nada, e andava, andava, andava, seguia em frente.
Daí pra frente, várias lanternas surgiram no meu caminho, do mesmo jeito da outra, e eu voltei a acreditar nelas, e voltei a ser enganado. A minha vida na floresta escura virara uma sina de ilusões.
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