Estava flutuando ou simplesmente enlouquecendo. Quando finalmente pousei, só queria descansar e tentar me restabelecer. Algum tempo depois tentei abrir os olhos, mas tudo estava muito claro e, quando a luz penetrou a minha córnea, senti uma grande dor de cabeça.
Quando percebi que tinha me acostumado um pouco mais com aquele ambiente fortemente iluminado em que estava, fui abrindo os olhos lentamente, até deixá-los completamente abertos. A dor ainda era grande e me fazia pensar que minha cabeça poderia explodir a qualquer momento. Reconheci rapidamente aquele ambiente, porque já tinha o visto representado várias vezes em filmes. Eu estava em um quarto de hospício. Senti-me sufocado naquele espaço tão reduzido e totalmente branco. Ainda meio confuso, o meu único pensamento foi dormir para depois, mais lúcido, procurar uma solução pra situação em que me encontrava.
Acordei, mais uma vez. Agora totalmente estável e quase sem nenhuma dor. Ouvia passos no corredor. Ouvia gritos que, de tão altos, ultrapassavam as paredes estofadas do meu quarto branco. Levantei, dei uma pequena volta pra reconhecer o ambiente e voltei a me deitar. Eu me sentia bem, e fiquei tentando adivinhar o porquê de eu estar naquele hospício. Após mais alguns pensamentos aleatórios, parei um pouco ao perceber que as paredes do quarto começaram a mudar de cor.
As paredes foram, pouco a pouco, transformando-se no meu maior medo. Fiquei assustado. Ninguém gosta de lembrar qual é o seu maior medo. Ninguém gosta de encarar o seu maior medo. Quando olhei para a porta e pensei na possibilidade de tentar fugir, elas trancaram-se rapidamente.
Ele avançava contra mim sem o menor pudor, e eu não tinha pra onde fugir. Tentei avançar contra ele, mas estava de mãos atadas. Lutei contra as algemas violentamente, mas sem sucesso. Eu só me machucava mais e mais a cada frustrada tentativa. E aquela risada histérica rasgava meus tímpanos e enlouquecia minha cabeça. Eu me debatia cada vez mais forte e novamente sem sucesso. Caí. Minhas forças se esgotaram.
E ali eu estava caído no chão, com as marcas de guerra nos braços. Nesse exato momento percebi porque não estava nada bem. Estava louco. Louco por estar preso no meu próprio medo. Louco por não conseguir mais aproveitar a minha vida e por não conseguir mais ser feliz, porque o meu maior medo poderia aparecer a qualquer momento e me fazer triste novamente. Louco por não conseguir mais conviver com os outros, porque o meu medo fazia eu me sentir vulnerável.
O medo enlouquece, é imprevisível. É preciso muita coragem para não se esconder nos arrependimentos, amar-se, lutar e, assim, ser feliz novamente. Preciso aprender, preciso ter toda essa coragem.
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